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Experiências mostram que 

dormir ajuda a memória

 

 

 

 

 

 

Artigo 3

Do Jornal El Pais – 14-02-2002

Experiências mostram que dormir ajuda a memória

Malen Ruiz de Elvira

Madri, Espanha -- O cérebro parece armazenar temporariamente no hipocampo a informação relevante nos processos de aprendizado, memória, comportamento e conhecimento, para então transferi-la durante algumas fases do sono para o córtex cerebral, reorganizando de forma útil e consolidando as lembranças no que se conhece como memória de longo prazo.

Experimentos recentes, que se baseiam por exemplo no registro da atividade individual de um grande número de neurônios, estão permitindo esclarecer o processo, de que também fazem parte os sonhos, e que parece ter pouco a ver com a interpretação freudiana.

Algumas experiências foram feitas com pássaros. Quando um pássaro dorme, também canta, explicou Daniel Margoliash, da Universidade de Chicago, na última reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS) em Boston. O que o pássaro faz é reproduzir durante o sono a atividade neurológica (só de alguns neurônios) envolvida no canto novo que aprendeu durante o dia. A reprodução do canto não é exata. Faltam notas, sobram ou mudam, assim como os sonhos humanos se parecem com a realidade mas não são realistas. Suspeita-se que essa mesma prática durante o sono ocorra entre os músicos, que sabem melhor a música recém-aprendida depois de dormir.



A formação das lembranças tem muitas etapas, afirmou por sua vez Matthew Wilson, que dirige um laboratório de ponta nesse campo no Instituto de Tecnologia de Massachusetts: "Elas se formam no hipocampo e se transferem para o córtex cerebral". Como isso acontece ainda é um mistério. Os cientistas acreditam que a reprodução das recordações recentes durante o sono pode ser a maneira de transferi-los para outras áreas do cérebro e se baseiam no resultado de experimentos em laboratório como os de Wilson, com ratos e labirintos.

Os ratos são equipados com um pequeno dispositivo que registra constantemente a atividade de cem neurônios ou mais. A conclusão dos estudos é que um determinado neurônio só dispara em um trajeto e sentido do labirinto (ao fim do qual está a comida que o rato procura). Depois de vários percursos, se observa que o neurônio se antecipa, disparando antes que comece.

Quando esse mesmo rato dorme imediatamente depois do trabalho, se observa quase a mesma seqüência de agrupamento de disparos em certos neurônios do hipocampo que quando o rato está percorrendo o trajeto, o que parece indicar que está consolidando a lembrança.

Wilson acredita que a sincronia da atividade observada no hipocampo e o córtex durante algumas fases do sono é a forma como os neurônios podem construir novas conexões (plasticidade cerebral) e assim consolidar as recordações formadas inicialmente. Essa sincronia ocorre na fase REM (movimento rápido dos olhos) do sono, que é quando sonhamos mais.

Numa experiência em que se registraram apenas dez neurônios cuja atividade era característica de uma tarefa concreta -o percurso em um labirinto circular até alcançar a comida e voltar- comprovou que em mais da metade dos episódios de sono REM analisados a atividade neurológica reproduzia na mesma velocidade o percurso do rato no labirinto, de forma que os pesquisadores podiam saber onde o rato se encontrava no sonho em cada momento, e se estava em movimento ou parado só pelo ritmo da atividade neurológica, traduzido em som. Quando se muda a tarefa do rato também mudam as características da atividade neurológica. Um detalhe importante é que a reprodução da tarefa em sonhos não é exata; costumam faltar pedaços do trajeto.

Os estudos com seres humanos são muito diferentes, por motivos óbvios. Robert Stickgold, da Universidade Harvard, realizou muitos e tirou conclusões interessantes. Em um estudo recente, voluntários olhavam para uma tela na qual se projetavam imagens rapidamente. A lembrança do que haviam visto melhorava muito depois de terem dormido na noite seguinte ao teste, e continuava melhorando durante vários dias, até que parava ou diminuir. A quantidade de sono REM influi de maneira útil nessa consolidação do aprendizado, explica Stickgold. Isso fica claro quando se trata de tarefas repetitivas, como digitar uma determinada seqüência de letras durante 30 segundos, descansar o mesmo período e repetir a tarefa.

 

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Os voluntários que dormiram depois da tarefa mostraram 20% de melhor relação aos que não dormiram. Segundo Stickgold, nesse aspecto a parte mais importante de um sono noturno típico de 8 horas é o último quarto. O conselho desse especialista para os estudantes: se quiserem aprender de forma útil para o futuro, vale mais dormir depois de estudar. Se quiserem apenas ser aprovados, pode valer ficar acordados estudando a noite inteira.

E os sonhos? Para Stickgold, tudo indica que fazem parte de um sistema de vários níveis de aprendizado dependente do sono e reprocessamento das lembranças. Nesse sistema os sonhos seriam a manifestação consciente desses processos. Ele se baseia em outro experimento com o jogo Tetris feito com pessoas normais e outras com amnésia. As imagens relacionadas ao jogo que os sujeitos, incluindo os amnésicos, informaram ter enquanto dormiam, indicam que existem diferentes tipos de memória que podem se misturar. O amnésicos não podiam lembrar que tinham jogado no dia anterior, mas sim das imagens relacionadas ao jogo que lhes haviam aparecido. Nas imagens dos jogadores veteranos apareciam experiências anteriores misturadas com as recentes.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves  

 

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